Cirurgia pediátrica minimamente invasiva: uma realidade para crianças de todas as idades
A videocirurgia é possível em crianças de todas as faixas etárias. Saiba quando a cirurgia pediátrica minimamente invasiva é indicada e quais suas vantagens.

Muitos pais se surpreendem quando explico que a cirurgia por vídeo — a chamada cirurgia minimamente invasiva — é uma realidade possível para crianças de todas as faixas etárias, incluindo recém-nascidos. Neste artigo, explico o que é essa técnica, quando ela pode ser utilizada e o que ela muda na recuperação do seu filho.
O que é a cirurgia minimamente invasiva?
Trata-se de uma técnica que permite operar a partir de uma ótica (câmera) e pinças introduzidas no abdome ou no tórax por pequenas incisões, em vez de um corte grande. Todo o material utilizado é específico pediátrico e neonatal, desenvolvido para o tamanho e a delicadeza das estruturas das crianças.
Quais as vantagens para a criança?
As principais vantagens dessa modalidade são:
- Tempo de internação menor;
- Recuperação com menos dor;
- Incisões menores, com melhor resultado estético;
- Retorno mais rápido às atividades.
Em quais cirurgias a técnica pode ser usada?
A técnica pode ser empregada tanto em cirurgias de emergência — como apendicite e derrame pleural por pneumonia — quanto em cirurgias eletivas (programadas), como:
- Tratamento do refluxo gastroesofágico;
- Hérnias;
- Colectomias para constipação;
- Colecistectomia (retirada da vesícula);
- Tratamento da má rotação intestinal;
- Cisto de ovário;
- Estenose pilórica;
- Esplenectomia;
- Doenças congênitas do pulmão e sequestros pulmonares;
- Gastrostomias e biópsias;
- Alguns tumores e doenças urológicas.
Toda criança pode fazer cirurgia por vídeo?
A indicação é sempre individualizada. A avaliação do cirurgião pediátrico considera o procedimento proposto, o tempo cirúrgico estimado, as comorbidades do paciente e o amparo técnico disponível. Em alguns casos, a técnica convencional continua sendo a mais segura — e essa decisão faz parte do planejamento cirúrgico discutido com a família.
O que importa é: a tecnologia existe, está disponível e, quando bem indicada, oferece às crianças uma experiência cirúrgica mais confortável e uma recuperação mais tranquila.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, e não substitui a consulta médica. A indicação da técnica cirúrgica é sempre individualizada por um profissional habilitado.
Dra. Karina Luiza Zimmermann é cirurgiã pediátrica (CRM/SC 23142 | RQE 25894), com fellowship em Cirurgia Pediátrica Minimamente Invasiva pelo Rocky Mountain Children's Hospital (Colorado, EUA). Atende em Blumenau/SC, na Criança Clínica Pediátrica.
