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Continência fecal na anomalia anorretal: quais fatores definem o prognóstico?

Tipo da anomalia, qualidade sacral e técnica cirúrgica: entenda os fatores que definem o prognóstico de continência fecal e o que é o índice sacral.

Uma das primeiras perguntas — e das mais delicadas — que os pais de uma criança com anomalia anorretal fazem é: "meu filho vai conseguir ter controle do intestino?" Neste artigo, explico quais são os fatores que a ciência reconhece como mais importantes para o prognóstico de continência fecal, e o que é o índice sacral, uma ferramenta objetiva que usamos nessa avaliação.

Os três fatores mais importantes

Os fatores mais relevantes para o prognóstico de continência fecal em pacientes com anomalia anorretal são:

  1. O tipo de anomalia anorretal — quanto mais baixa a anomalia, melhor o prognóstico;

  2. A qualidade sacral e da musculatura pélvica;

  3. A técnica cirúrgica empregada.

Repare que dois desses fatores são características da própria criança — mas o terceiro depende diretamente da equipe que a opera. É por isso que a escolha de um cirurgião com formação dedicada à área colorretal pediátrica faz tanta diferença.

O que é o índice sacral?

O índice sacral é uma forma objetiva de avaliar a qualidade do sacro (a parte final da coluna) e, com isso, estimar o prognóstico de continência fecal do paciente.

Como ele é calculado: o recém-nascido é submetido a um raio-X em duas posições (anteroposterior e lateral). Sobre as imagens, são traçadas três linhas — a linha A entre as duas cristas ilíacas, a linha B na junção sacroilíaca e a linha C ao final do último osso sacral. O índice é o resultado da divisão da distância entre as linhas B e C pela distância entre as linhas A e B.

A interpretação:

  • Igual ou acima de 0,7: bom prognóstico;

  • Entre 0,4 e 0,69: prognóstico indeterminado;

  • Igual ou abaixo de 0,4: pior prognóstico.

E quando o prognóstico não é favorável?

Aqui está a mensagem mais importante deste artigo: mesmo nos casos complexos — com musculatura pélvica pobre e má qualidade sacral — a continência social pode ser atingida por outros meios. Alternativas cirúrgicas e não cirúrgicas podem ser empregadas dentro de um programa de manejo de cólon.

A cirurgia colorretal pediátrica, mesmo centrada em um problema cirúrgico, enxerga a criança de forma abrangente, normalmente alicerçada por uma equipe multidisciplinar. O objetivo é sempre o mesmo: permitir inserção social e vida plena.

Referência: Peña A, Bischoff A. Surgical Treatment of Colorectal Problems in Children. Springer, 2015.


Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento devem ser sempre individualizados por um profissional habilitado.


Dra. Karina Luiza Zimmermann é cirurgiã pediátrica (CRM/SC 23142 | RQE 25894), com fellowship em Cirurgia Pediátrica Colorretal pela USP de Ribeirão Preto. Atende em Blumenau/SC, na Criança Clínica Pediátrica.

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