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Hérnia inguinal em crianças: por que ela não melhora sozinha e quando operar

Entenda o que é a hérnia inguinal infantil, por que ela não desaparece sozinha e quando a cirurgia é indicada. Por Dra. Karina Zimmermann, cirurgiã pediátrica.

Uma das perguntas mais comuns que recebo no consultório é: "Doutora, essa hérnia não pode sumir sozinha?" E eu entendo perfeitamente de onde vem essa esperança — nenhum pai ou mãe quer ouvir que o filho precisa de cirurgia. Por isso, escrevi este artigo para explicar com calma o que é a hérnia inguinal, por que ela precisa de tratamento cirúrgico e o que esperar desse processo.

O que é a hérnia inguinal?

A hérnia inguinal acontece quando existe uma comunicação entre a cavidade abdominal e a região da virilha (região inguinal). Essa comunicação permite a passagem de conteúdo do abdome para a virilha: alças do intestino, o epíplon (uma camada de gordura que reveste os órgãos) e, no caso das meninas, até mesmo o ovário.

Na prática, o que os pais costumam perceber é um abaulamento na virilha — uma "bolinha" ou volume que aparece ou aumenta principalmente quando a criança chora, tosse ou faz esforço, e que pode diminuir ou desaparecer quando ela está calma ou deitada.

Por que a hérnia inguinal não melhora sozinha?

Diferente da hérnia umbilical, que em muitos casos pode fechar espontaneamente nos primeiros anos de vida, a hérnia inguinal na infância não se resolve sozinha. Aquele canal de comunicação entre o abdome e a virilha não fecha com o tempo, com exercícios ou com qualquer tratamento clínico. O único tratamento definitivo é a correção cirúrgica.

O principal risco: encarceramento

O motivo mais importante para indicar a cirurgia é o risco de encarceramento. Isso ocorre quando o conteúdo da hérnia — intestino ou, nas meninas, o ovário — fica preso na região da virilha e não consegue retornar ao abdome.

O encarceramento pode causar:

  • Dor intensa e choro inconsolável;
  • Vômitos;
  • Abaulamento endurecido, que não reduz mais;
  • Comprometimento da circulação sanguínea do intestino ou do ovário.

Essa situação é uma emergência cirúrgica. É justamente para evitar chegar a esse cenário que a cirurgia programada (eletiva) é indicada assim que o diagnóstico é feito.

Como é a cirurgia de hérnia inguinal em crianças?

A boa notícia é que, quando realizada de forma programada, a cirurgia de hérnia inguinal costuma ser rápida e segura. Na maioria dos casos, a criança recebe alta hospitalar no mesmo dia do procedimento.

A correção pode ser realizada por técnica convencional ou por videocirurgia (cirurgia minimamente invasiva), sempre com material específico pediátrico e neonatal. A escolha da técnica é individualizada, considerando a idade da criança, o tipo de hérnia e a avaliação do cirurgião pediátrico.

É importante lembrar que criança não é um adulto em miniatura: operar crianças exige conhecimento específico de cada faixa etária, e por isso o acompanhamento deve ser feito por um cirurgião pediátrico.

Quando procurar um cirurgião pediátrico?

Se você notou um abaulamento na virilha do seu filho ou da sua filha — principalmente durante o choro, tosse ou esforço — agende uma avaliação com um cirurgião pediátrico. O diagnóstico é essencialmente clínico, feito durante o exame físico na consulta, e quanto antes ele acontecer, menor o risco de complicações como o encarceramento.

E se, junto do abaulamento, houver dor intensa, vômitos ou o volume ficar endurecido e não reduzir mais, procure atendimento de emergência imediatamente.


Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento devem ser sempre individualizados por um profissional habilitado.

Dra. Karina Luiza Zimmermann é cirurgiã pediátrica (CRM/SC 23142 | RQE 25894), com fellowship em Cirurgia Pediátrica Minimamente Invasiva pelo Rocky Mountain Children's Hospital (Colorado, EUA) e fellowship em Cirurgia Pediátrica Colorretal pela USP de Ribeirão Preto. Atende em Blumenau/SC, na Criança Clínica Pediátrica.

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